terça-feira, 10 de abril de 2007

Deus, Pátria, Família


De forma a assinalar os primeiros dez anos de governo de Salazar, é editada, em 1938, uma série de sete cartazes intitulada “A Lição de Salazar”, distribuída por todas as escolas primárias do país. Estes cartazes faziam parte de uma estratégia de inculcação de valores por parte do Estado Novo, destinando-se a glorificar a obra feita até então pelo ditador, desde o campo económico-financeiro às obras públicas. Durante muitos anos, estes cartazes didácticos foram utilizados como forma de transmitir uma ideia central: a superioridade de um Estado forte e autoritário sobre os regimes demoliberais.
Para acentuar a importância do Estado Novo enquanto garante da ordem e progresso do país, os cartazes fazem uma comparação sistemática entre a obra do regime salazarista e a 1ª República: à desorganização económica e financeira e ao alheamento do Estado democrático e liberal republicano face aos problemas do país, sucede a organização financeira, a melhoria das vias de comunicação, a construção de portos, o ordenamento e progresso social promovidos pelo Estado Novo. Os cartazes acentuam esta ideia a partir de uma imagem cinzenta e triste da época da 1ª República, enquanto que o “depois” da obra salazarista nos aparece colorido, organizado, moderno.

O último cartaz da série, Deus, Pátria, Família: a Trilogia da Educação Nacional é uma esplêndida síntese da pedagogia e moral salazaristas, enaltecendo-se o valor da família, que, como Salazar afirmava, era “a célula social irredutível, núcleo originário da freguesia, do município e, portanto, da Nação”. A imagem revela o lar perfeito, rústico, humilde, analfabeto, patriarcal, cristão. É a apologia da saudável e simples vida do campo, por oposição aos vícios gerados pela vida urbana. Lar simples, aconchegado, sem água nem electricidade, sem um jornal ou aparelho de rádio, nada que faça lembrar a indústria, a modernidade. A mulher que, submissa, cumpre a sua missão de esposa e mãe; o pai, chefe de família, que chega do campo onde labuta para angariar o sustento da casa; o móvel, com a colocação do crucifixo, foi transformado em altar; o pão e o vinho sobre a mesa, fazem lembrar o sacrifício da missa; os filhos, envergando o rapaz a farda da Mocidade Portuguesa, que, reverentemente saúdam o pai, ali o Chefe; ao fundo, o castelo com a bandeira nacional revela a gloriosa história da pátria, completando-se, assim, o lema de Salazar, “Deus, Pátria, Família”.
É o mundo perfeito, sem violência, sem vícios, sem protestos, perfeitamente ordenado, traduzindo uma ordem económica, política e social que o Estado Novo considerava perfeitas.

1. A partir da análise atenta dos documentos, refere:
a) A actividade económica que se pretendia privilegiar;
b) O papel que se pretendia que a mulher ocupasse na sociedade;
c) Os valores transmitidos.

2. Dá a tua opinião sobre a utilização de cartazes, como o que está acima, nas escolas primárias, como meio de educação das crianças.

1 comentário:

Gaja disse...

Olá!

Obrigada pelo comentário no meu Blog! Ele está muito parado pois dediquei-me mais ao dos meus Traquinas.
Também gostei dos teus... São mais sérios! E acho que devia consultá-los mais vezes. É que mantive sempre uma certa zanga com a disciplina de História... a partir do 9º ano escolhi sempre Geografia! Sempre me dei melhor com os números... Por isso talvez me fizesse bem ir refrescando a memória! ;)

Inté,
Cátia